ūüĆć Relativismo Cultural – An√°lise, exemplos, cr√≠ticas

tudo sobre relativisomo cultural

Tudo Sobre Relativismo Cultural

Os relativistas culturais defendem que as culturas diferem fundamentalmente umas das outras, tal como os quadros morais que estruturam as rela√ß√Ķes no seio das diferentes sociedades. Nas rela√ß√Ķes internacionais, os relativistas culturais determinam se uma ac√ß√£o √© “certa” ou “errada”, avaliando-a de acordo com os padr√Ķes √©ticos da sociedade em que a ac√ß√£o ocorre. H√° um debate no terreno sobre se os ju√≠zos de valor podem ser feitos entre culturas. O relativismo cultural n√£o deve ser confundido com o relativismo moral, que defende que os absolutos morais que orientam o comportamento individual n√£o existem por uma quest√£o de princ√≠pio.



 

Os Pensamentos do Relativismo Cultural

Para muitos pensadores, esta observa√ß√£o: “Culturas diferentes t√™m c√≥digos morais diferentes” pareceu ser a chave para compreender a moralidade. A ideia da verdade universal na √©tica, dizem eles, √© um mito. Os costumes das diferentes sociedades s√£o tudo o que existe. N√£o se pode dizer que esses costumes sejam “corretos” ou “incorretos”, pois isso implica que temos um padr√£o independente de certo e errado pelo qual eles podem ser julgados. Mas n√£o existe essa norma independente; todas as normas est√£o ligadas √† cultura.

O grande sociólogo pioneiro William Graham Sumner, escrevendo em 1906, colocou a questão desta forma:

O caminho “certo” √© o caminho que os antepassados usaram e que foi transmitido. A tradi√ß√£o √© a sua pr√≥pria garantia. N√£o est√° sujeita a verifica√ß√£o pela experi√™ncia. A no√ß√£o de direito est√° no folclore. N√£o est√° fora delas, de origem independente, e trazida para as testar. No folclore, o que quer que seja, est√° certo. Isto porque eles s√£o tradicionais e, portanto, cont√™m em si mesmos a autoridade dos fantasmas ancestrais. Quando chegamos ao folclore, estamos no fim da nossa an√°lise.

Esta linha de pensamento provavelmente convenceu mais pessoas a serem céticas em relação à ética do que qualquer outra coisa isolada. O relativismo cultural, como tem sido chamado, desafia a nossa crença comum na objetividade e na universalidade da verdade moral. Com efeito, diz que a verdade universal não existe na ética; existem apenas os vários códigos culturais, e nada mais. Além disso, o nosso próprio código não tem um estatuto especial; é apenas um entre muitos.

Como veremos, esta ideia b√°sica √©, na realidade, um composto de v√°rios pensamentos diferentes. √Č importante separar os v√°rios elementos da teoria porque, na an√°lise, algumas partes acabam por se revelar corretas, enquanto outras parecem estar erradas. Como princ√≠pio, podemos distinguir as seguintes afirma√ß√Ķes, todas elas feitas por relativistas culturais:

 

Sociedades diferentes têm códigos morais diferentes

Não existe uma norma objetiva que possa ser utilizada para julgar melhor um código da sociedade do que outro.
O código moral da nossa própria sociedade não tem um estatuto especial; é apenas um entre muitos.
N√£o existe uma “verdade universal” na √©tica; ou seja, n√£o existem verdades morais que se mantenham para todos os povos em todos os momentos.

O código moral de uma sociedade determina o que está certo dentro dessa sociedade; isto é, se o código moral de uma sociedade diz que uma determinada ação está certa, então essa ação está certa, pelo menos dentro dessa sociedade.
√Č mera arrog√Ęncia tentarmos julgar a conduta de outros povos. Dever√≠amos adotar uma atitude de toler√Ęncia em rela√ß√£o √†s pr√°ticas de outras culturas.

Embora possa parecer que estas seis proposi√ß√Ķes andam naturalmente juntas, s√£o independentes umas das outras, no sentido de que algumas delas podem ser falsas, mesmo que outras sejam verdadeiras.

 

O que é relativismo cultural

O relativismo cultural é uma filosofia, epistemologia e conceito metodológico que teve a sua origem na antropologia do início do século XX. Os relativistas culturais assumem a posição de que cada cultura deve ser julgada nos seus próprios termos de acordo com o seu próprio quadro e que a cultura medeia a compreensão e as experiências do mundo.

 

Para melhor compreender o relativismo cultural primeiro temos de analisar o Relativismo e a Cultura

 

Relativismo

O relativismo √© a posi√ß√£o filos√≥fica de que todos os pontos de vista s√£o igualmente v√°lidos e que toda a verdade √© relativa ao indiv√≠duo. Isto significa que todas as posi√ß√Ķes morais, todos os sistemas religiosos, todas as formas de arte, todos os movimentos pol√≠ticos, etc., s√£o verdades que s√£o relativas ao indiv√≠duo.

Sob a alçada do relativismo, grupos inteiros de perspetivas são categorizados.

Em termos óbvios, algumas são:

  • Relativismo cognitivo (verdade) – O relativismo cognitivo afirma que toda a verdade √© relativa. Isto significaria que nenhum sistema de verdade √© mais v√°lido do que outro, e que n√£o existe um padr√£o objetivo de verdade. Negaria, naturalmente, que existe um Deus de verdade absoluta.
  • Relativismo moral/√©tico – Toda a moral √© relativa ao grupo social dentro do qual √© constru√≠da.
  • Relativismo situacional – A √©tica (certa e errada) est√° dependente da situa√ß√£o.

 

Cultura

Cultura refere-se ao dep√≥sito cumulativo de conhecimento, experi√™ncia, cren√ßas, valores, atitudes, significados, hierarquias, religi√£o, no√ß√Ķes de tempo, pap√©is, rela√ß√Ķes espaciais, conceitos do universo e objetos, e posses materiais adquiridas por um grupo de pessoas ao longo de gera√ß√Ķes atrav√©s do esfor√ßo individual e grupal.

A cultura é o sistema de conhecimento partilhado por um grupo relativamente grande de pessoas.

Cultura é comunicação, comunicação é cultura.

Cultura no seu sentido mais amplo é o comportamento cultivado; isto é, a totalidade da experiência aprendida, acumulada de uma pessoa que é socialmente transmitida, ou, mais brevemente, o comportamento através da aprendizagem social.

Uma cultura é um modo de vida de um grupo de pessoas Рos comportamentos, crenças, valores e símbolos que aceitam, geralmente sem pensar neles, e que são transmitidos pela comunicação e imitação de uma geração para a outra.

A cultura √© uma comunica√ß√£o simb√≥lica. Alguns dos seus s√≠mbolos incluem as habilidades, conhecimentos, atitudes, valores e motivos de um grupo. Os significados dos s√≠mbolos s√£o aprendidos e deliberadamente perpetuados numa sociedade atrav√©s das suas institui√ß√Ķes.

A cultura consiste em padr√Ķes, expl√≠citos e impl√≠citos, de e para os comportamentos adquiridos e transmitidos pelos s√≠mbolos, constituindo a realiza√ß√£o distinta dos grupos humanos, incluindo as suas encarna√ß√Ķes em artefactos; o n√ļcleo essencial da cultura consiste em ideias tradicionais e, especialmente, nos valores que lhes est√£o associados; os sistemas culturais podem, por um lado, ser considerados como produtos de a√ß√£o, por outro lado, como influ√™ncias condicionantes para a a√ß√£o futura.

A cultura é a soma do total do comportamento aprendido de um grupo de pessoas que são geralmente consideradas como sendo a tradição dessas pessoas e que são transmitidas de geração em geração.

A cultura é uma programação coletiva da mente que distingue os membros de um grupo ou categoria de pessoas de outro.

 

As V√°rias Manifesta√ß√Ķes de Cultura

As diferen√ßas culturais manifestam-se de formas diferentes e com diferentes n√≠veis de profundidade. Os s√≠mbolos representam as manifesta√ß√Ķes mais superficiais e valorizam as mais profundas da cultura, com her√≥is e rituais no meio.

Os s√≠mbolos s√£o palavras, gestos, imagens ou objetos que carregam um significado particular que s√≥ √© reconhecido por aqueles que partilham uma determinada cultura. Os novos s√≠mbolos desenvolvem-se facilmente, os antigos desaparecem. S√≠mbolos de um grupo em particular s√£o regularmente copiados por outros. √Č por isso que os s√≠mbolos representam a camada mais externa de uma cultura.
Os heróis são pessoas, passadas ou presentes, reais ou fictícias, que possuem características muito apreciadas numa cultura. Eles também servem como modelos de comportamento.

Os rituais são atividades coletivas, por vezes supérfluas para atingir os objetivos desejados, mas são consideradas como socialmente essenciais. Por isso, são realizados na maioria das vezes para o seu próprio bem (formas de saudação, respeito pelos outros, cerimónias religiosas e sociais, etc.).

O n√ļcleo de uma cultura √© formado por valores. S√£o grandes tend√™ncias para as prefer√™ncias de certos estados de coisas em rela√ß√£o a outros (bom ,mau, certo errado). Muitos valores permanecem inconscientes para aqueles que os defendem. Por conseguinte, frequentemente n√£o podem ser discutidos, nem podem ser diretamente observados por outros. Os valores s√≥ podem ser inferidos a partir da forma como as pessoas agem em circunst√Ęncias diferentes.

Símbolos, heróis e rituais são os aspetos tangíveis ou visuais das práticas de uma cultura. O verdadeiro significado cultural das práticas é intangível; isto só é revelado quando as práticas são interpretadas pelos iniciados.

 

Xenocentrismo

Uma prefer√™ncia pelos produtos, estilos ou ideias de uma cultura diferente. As culturas variam entre as v√°rias regi√Ķes, tanto em termos materiais como n√£o materiais. O processo de globaliza√ß√£o permitiu-nos conhecer as outras culturas que existem em todo o mundo e entrar em contacto com os mercados globais, o que nos d√° acesso aos v√°rios produtos, estilos e estilos de vida das culturas fora da nossa. O conhecimento de outras culturas estrangeiras √© o que d√° origem ao xenocentrismo, que √© a tend√™ncia para valorizar outras culturas, valores, estilos, produtos, etc., mais do que a nossa pr√≥pria.

O xenocentrismo √© o oposto do etnocentrismo, que significa valorizar mais a pr√≥pria cultura do que a cultura do outro. Esta perce√ß√£o da cultura de um em compara√ß√£o com a dos outros desempenha um grande papel na forma como percebemos os indiv√≠duos que nos rodeiam e os grupos dos quais fazemos parte. Podemos muitas vezes olhar para outra cultura se percebermos que ela implica algo que falta na nossa pr√≥pria cultura. Por exemplo, um adolescente que vive na √ćndia pode tornar-se consciente do individualismo existente e de um sentimento de liberdade existente na sociedade americana, dado aos outros a sua pr√≥pria idade e, por conseguinte, aspirar a atingir esse objetivo.

Muitas vezes também olhamos para outras culturas simplesmente porque podemos acreditar que são melhores que a nossa, por exemplo, os americanos acreditam muitas vezes que a vinha encontrada e produzida em França e Espanha é mais superior à que é produzida nas suas próprias vinhas, nós descobrimos que eles também acreditam muitas vezes que o queijo produzido em França é mais superior ao queijo que é produzido nos Estados Unidos.

 

Relativismo Cultural e Etnocentrismo

O etnocentrismo: A tendência para olhar para o mundo principalmente da perspetiva da própria cultura.
O relativismo cultural: O relativismo cultural √© um princ√≠pio que foi estabelecido como axiom√°tico na pesquisa antropol√≥gica por Franz Boas nas primeiras d√©cadas do s√©culo XX, e mais tarde popularizado pelos seus alunos. Boas articulou a ideia pela primeira vez em 1887: “…a civiliza√ß√£o n√£o √© algo absoluto, mas… √© relativa, e… as nossas ideias e conce√ß√Ķes s√≥ s√£o verdadeiras at√© ao ponto em que vai a nossa civiliza√ß√£o. ‚Äú

Etnocentrismo, um termo cunhado por William Graham Sumner, √© a tend√™ncia para olhar para o mundo principalmente da perspetiva da sua pr√≥pria cultura √©tnica e a cren√ßa de que essa √©, de facto, a forma “certa” de olhar para o mundo. Isto leva a fazer suposi√ß√Ķes incorretas sobre o comportamento dos outros com base nas suas pr√≥prias normas, valores e cren√ßas.

Por exemplo, a relut√Ęncia ou avers√£o a experimentar a cozinha de outra cultura √© etnoc√™ntrica. Os cientistas sociais esfor√ßam-se por tratar as diferen√ßas culturais como nem inferiores nem superiores. Dessa forma, podem compreender os seus temas de investiga√ß√£o dentro do contexto cultural apropriado e examinar os seus pr√≥prios preconceitos e suposi√ß√Ķes ao mesmo tempo.

Apesar do quanto os seres humanos têm em comum, as diferenças culturais são muito mais prevalecentes do que os universos culturais. Por exemplo, embora todas as culturas tenham linguagem, a análise das estruturas linguísticas específicas e da etiqueta conversacional revela diferenças tremendas.

Em algumas culturas do M√©dio Oriente, √© comum estar pr√≥ximo de outras na conversa√ß√£o. Os norte-americanos mant√™m mais dist√Ęncia e mant√™m um “espa√ßo pessoal” maior. Mesmo algo t√£o simples como comer e beber varia muito de cultura para cultura. Se a sua professora vem a uma aula de manh√£ cedo, segurando uma caneca de l√≠quido, o que pensa que ela est√° a beber? Nos Estados Unidos, a caneca est√° muito provavelmente cheia de caf√©, n√£o de ch√° Earl Grey, um favorito em Inglaterra, ou de ch√° Yak Butter, um alimento b√°sico no Tibete.
A forma como a culinária varia de cultura para cultura fascina muitas pessoas. Alguns viajantes orgulham-se da sua vontade de experimentar comidas desconhecidas, como o célebre escritor de comida Anthony Bourdain, enquanto outros regressam a casa expressando a sua gratidão pela comida da sua cultura nativa.

Muitas vezes, as pessoas nos Estados Unidos expressam repugn√Ęncia pela cozinha de outras culturas e pensam que √© nojento comer carne de um c√£o ou de uma cobaia, por exemplo, enquanto n√£o questionam o seu pr√≥prio h√°bito de comer vacas ou porcos. Tais atitudes s√£o um exemplo de etnocentrismo, ou de avalia√ß√£o e julgamento de outra cultura com base na forma como se compara com as pr√≥prias normas culturais.

O etnocentrismo, como o soci√≥logo William Graham Sumner (1906) descreveu o termo, envolve uma cren√ßa ou atitude de que a sua pr√≥pria cultura √© melhor do que todas as outras, e deve, portanto, servir como quadro padr√£o de refer√™ncia. Quase todas as pessoas s√£o um pouco etnoc√™ntricas. Por exemplo, os americanos tendem a dizer que as pessoas de Inglaterra conduzem no lado “errado” da estrada, em vez de no “outro” lado. Algu√©m de um pa√≠s onde a carne de c√£o √© um prato normal pode ach√°-la um pouco desinteressante para ver um c√£o num restaurante franc√™s – n√£o no menu, mas como um animal de estima√ß√£o e companheiro do patr√£o.

 

Principais Críticas ao Relativismo Cultural

√Č na pr√°tica que o relativismo cultural sanciona as piores manifesta√ß√Ķes de viol√™ncia e opress√£o. O relativismo cultural consegue isso de duas formas. Em primeiro lugar, torna os inocentes moralmente indefesos contra aqueles que lhes querem fazer mal. Em segundo lugar, sanciona moralmente as ac√ß√Ķes dos agressores.

Em rela√ß√£o √† primeira, ser moralmente indefeso √© estar sem qualquer fundamento moral v√°lido pelo qual se possa justificar os seus atos, condena√ß√Ķes ou car√°cter. O relativismo cultural desarma os homens ao proclamar que n√£o existem normas, sejam elas morais ou de qualquer outra forma, pelas quais o julgamento transcultural seja de todo poss√≠vel. Logicamente, em vez de qualquer padr√£o, as proclama√ß√Ķes de julgamento de qualquer tipo n√£o t√™m sentido.

Que peso se pode atribuir √† proclama√ß√£o de que algo √© bom ou mau sem um crit√©rio para determinar o que constitui o bom e o mau? Como se aplica aos julgamentos transculturais, √© importante notar que as culturas n√£o s√£o monol√≠ticas, est√°ticas, abstra√ß√Ķes flutuantes, independentes dos indiv√≠duos, das pr√°ticas e das ideias que as comp√Ķem. Na realidade, as culturas evoluem. Substituem frequentemente modos de vida antigos por novos e, ao faz√™-lo, adotam novas ideias e pr√°ticas.

Assim sendo, a afirma√ß√£o do relativismo cultural “de que n√£o existe uma forma significativa de julgar culturas diferentes” √© a de afirmar apenas o mesmo sobre os indiv√≠duos, ideias e pr√°ticas das culturas. Quando o relativismo cultural proclama que todas as culturas s√£o iguais, diz o mesmo sobre as ideias e pr√°ticas reais ou presentes, dominantes ou clandestinas, tal como s√£o mantidas pelos indiv√≠duos que as defendem. As ideias e pr√°ticas incontroversamente opostas nas v√°rias culturas do mundo tornam-se ent√£o problem√°ticas para o quadro relativista cultural.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazis alem√£es acreditavam que tinham uma pretens√£o moral e v√°lida de se apoderar do resto do mundo. Uma express√£o proeminente desta cren√ßa era o princ√≠pio nazi do Lebensraum, ou “espa√ßo vital”; supostamente justificando a conquista nacional como um direito ordenado da ra√ßa ariana para fins de desenvolvimento natural.

Em contrapartida, a Polónia manteve e agiu de acordo com o princípio da soberania nacional. Apesar destes princípios diametralmente opostos, a Alemanha invadiu a Polónia sob o pretexto de que tinha o direito de o fazer, enquanto a Polónia negou veementemente esse direito.

No quadro relativista cultural, porém, a pretensão alemã à Polónia é tão válida como a pretensão da Polónia à soberania.
Por conseguinte, a fantasia nazi do dom√≠nio mundial e a sua pr√°tica de invas√Ķes brutais e genoc√≠dio s√£o t√£o v√°lidas como a ideia de soberania e a pr√°tica da mesma.

Em que se baseia, ent√£o, a Pol√≥nia reivindicar o direito √† sua soberania quando as reivindica√ß√Ķes √† sua escravatura s√£o t√£o v√°lidas como as suas reivindica√ß√Ķes? O resultado √© o desarmamento moral da Pol√≥nia inocente – a Pol√≥nia ficaria com poucos ou nenhuns meios para refutar efectivamente as ac√ß√Ķes e a justifica√ß√£o da Alemanha.

Como tal, o relativismo cultural torna impossíveis os julgamentos transculturais Рnão deixa nenhum meio pelo qual ideias e práticas diferentes de culturas possam ser julgadas. O resultado é óbvio: os inocentes ficam moralmente indefesos contra os seus agressores. O seu quadro Рse for considerado verdadeiro e aplicado como tal Рdesarma automaticamente as vítimas. Fá-lo através da sua negação universal de qualquer norma pela qual uma ideia ou prática possa ser julgada, pelo menos transculturalmente.

 

Reconciliação das Diferenças Culturais

Sensibilização cultural

Antes de se aventurar numa missão global, é provavelmente necessário identificar as diferenças culturais que podem existir entre o próprio país de origem e o país de funcionamento do negócio. Quando as diferenças existem, há que decidir se e em que medida as práticas do país de origem podem ser adaptadas ao ambiente estrangeiro. Na maioria das vezes, as diferenças não são muito aparentes ou tangíveis. Certos aspetos de uma cultura podem ser aprendidos conscientemente (por exemplo, métodos de saudação), algumas outras diferenças são aprendidas subconscientemente (por exemplo, métodos de resolução de problemas).

A construção de uma consciência cultural pode não ser uma tarefa fácil, mas uma vez realizada, ajuda definitivamente um trabalho realizado de forma eficiente num ambiente estrangeiro.

As discuss√Ķes e a leitura sobre outras culturas ajudam, sem d√ļvida, a construir uma consci√™ncia cultural, mas as opini√Ķes apresentadas devem ser cuidadosamente avaliadas. Por vezes podem representar estere√≥tipos injustificados, uma avalia√ß√£o de apenas um subgrupo de um determinado grupo de pessoas ou uma situa√ß√£o que desde ent√£o sofreu mudan√ßas dr√°sticas. √Č sempre uma boa ideia obter pontos de vista variados sobre a mesma cultura.

Agrupamento de culturas

Alguns países podem partilhar muitos atributos que ajudam a moldar as suas culturas (os modificadores podem ser a língua, a religião, a localização geográfica, etc.). Com base nestes dados obtidos em estudos transculturais anteriores, os países podem ser agrupados por semelhanças de valores e atitudes. Podem esperar-se menos diferenças ao mover-se dentro de um agrupamento do que ao mover-se de um agrupamento para outro.

Determinar o grau de envolvimento global

Todas as empresas que operam a n√≠vel mundial n√£o precisam de ter o mesmo grau de consci√™ncia cultural. Quanto mais uma empresa se afasta do √ļnico papel de fazer neg√≥cios dom√©sticos, mais precisa de compreender as diferen√ßas culturais. A desloca√ß√£o para fora em mais do que um eixo em simult√Ęneo torna ainda mais essencial a necessidade de construir uma consci√™ncia cultural.


Conclus√£o

Colocam-se mais quest√Ķes. Se todas as opini√Ķes morais forem igualmente v√°lidas, ser√° que temos o direito de punir algu√©m? Podemos alguma vez dizer que algo est√° errado? Para podermos dizer que algo est√° errado, temos primeiro de ter uma norma segundo a qual pesamos o certo e o errado para fazermos um ju√≠zo. Se essa norma de certo e errado se baseia no relativismo, ent√£o n√£o √© de todo uma norma. No relativismo, os padr√Ķes do certo e do errado derivam de normas sociais. Uma vez que a sociedade muda, as normas mudariam e, portanto, o certo e o errado. Se o certo e o errado mudam, ent√£o como pode algu√©m ser julgado corretamente por algo que fez errado, se esse errado pode tornar-se certo no futuro?

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